Beyond
[post done for the Maya-Lila blog at: http://maya-lila.tumblr.com/]
Se pensar em intensidade ao invés de tensidades, aonde é que o ser vivo dançante pode ir parar?!
Talvez parar é que ele não vai.
Acredito que vai se mover além. Não para o além, mas simplesmente além.
Se mover além.
É para mim atravessar fronteiras.
Temos muitas fronteiras que nos seguram como o que somos:
A pele segura o todo de dentro do corpo.
A roupa segura o corpo.
A sociedade segura nossa expressão (seja movimento ou aparência ou …)
A religião traça linhas
O ser humano constrói paredes, muros, grades, atos, venenos…
A mãe/pai dizem não
O dinheiro cria regras…
São muitas as fronteiras.
E se passarmos a pensar nas intensidade ao invés das tensidades?!!
Intensidades como (parafraseando Debora Hay) pensar que cada uma das células do corpo faz o convite para ser vista. Não assumir que nossa dança tem uma frente (limitada pelo palco). Nossa dança pode ir além.
Algo que chega a ser tão pessoal (intimo) como universal.
(é um sentimento de vida a toda e cada parte do corpo, que faz parte do movimento e participa da mesma forma, compartilhando das mesmas intensidades…)
O corpo intenso pulsa.
a pulsação conduz o movimento (que não estagna na fronteira da mente). Flui em intensidade, em qualidades, em características.
O artista como a fonte, o veículo e o material. Que faz circular o ciclo espiral da vida (como a respiração que nunca fecha um ciclo pois cada nova respirada já se está a um passo adiante na vida).
Cada movimento que fazemos (artisticamente) é assim também.
Um ciclo espiralado composto de intensidade (movimento, pensamento, sentimento, sensação, reação, contracção, relaxamento…).
O artista que trás do material e leva para o imaterial e volta para o material em outro lugar.
É visível e invisível, depende sempre dos olhos que vêem. Do ouvido que escuta, do toque que sente, do gosto degustado, do cheiro… do arrepio.
É além.